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A verdade dos antibióticos

Como primeiro tema, escolhi falar dos antibióticos exatamente por ser um assunto ainda desconhecido por muitos, sendo que a maior parte das pessoas leva a resistência aos antibióticos de uma forma leviana (e de leve este assunto tem pouco!).

Existem algumas coisas que devem ser explicadas primeiro:
- Existem diversos microorganismos que podem causar doenças, que são: bactérias, fungos, parasitas/leveduras, vírus
- As bactérias, fungos e parasitas são considerados seres vivos, ou seja, sobrevivem sozinhos, alimentam-se, multiplicam-se e todas as outras coisas que nós, humanos, fazemos;
- Os vírus, por outro lado, são organismos que não podem ser considerados seres vivos. Eles não se alimentam, não se multiplicam; só conseguem resistir e fazer mal se estiverem dentro de organismos como humanos e animais, fora destes não são "entidades vivas".

Posto isto, deve ser explicado que um antibiótico, como o próprio nome indica, é anti bio (mata a vida), o que significa que não mata vírus mas sim os outros microorganismos.
Assim, os antibióticos não devem ser tomados em situações como dores de dentes em que não haja infeção, em infeções provocadas por vírus, em intolerâncias/alergias e muitas outras situações.

Outra situação muito recorrente em farmácia é quando os utentes se dirigem ao balcão e pedem o antibiótico para a infeção urinária que tomaram da outra vez. Pode parecer implicância dos médicos, farmacêuticos e técnicos de farmácia fazer exames e mais exames quando parece que "um simples antibiótico qualquer resolveria o assunto", mas a verdade é que diferentes antibióticos funcionam contra diferentes tipos de bactérias e a infeção que teve há dois anos pode ter sido provocada por uma bactéria diferente daquela que está a causar a sua infeção atual. Daí serem necessários exames para garantir que o antibiótico administrado é o correto. Caso contrário, um antibiótico errado pode não só ser ineficaz, como aumentar a resistência.

Aqui, entramos num ponto importante. A população ainda não entende o drama da resistência a antibióticos, mas a verdade é que em 2050 mais de 40 MIL pessoas SÓ EM PORTUGAL vão morrer devido a estas resistências.

Mas o que é então a resistência a antibióticos?
Tal como os seres humanos, as bactérias são capazes de se adaptar às alterações do meio. Imaginemos o seguinte cenário: vem uma vaga gigante de frio durante 1000 anos. Nós conseguimos adaptar-nos a esse frio, aqueles que são mais fracos e não aguentam acabam por morrer, deixando apenas os mais fortes vivos. Esses mais fortes, com maior capacidade de resistência ao frio, procriam entre si, fazendo com que as próximas gerações tenham essa maior capacidade de resistir ao frio. E isso acontece mais e mais a cada geração. Com as bactérias é igual. As mais fortes vão resistir mais facilmente ao meio, desenvolvendo capacidades que combatem o antibiótico e depois multiplicam-se, tornando o antibiótico ineficaz. Essas bactérias mais fortes tornam-se imortais em relação às "armas" que temos atualmente e acabam por infetar outras pessoas e mais outras, sendo que nada as pode parar. Mas isto não acontece no espaço de 1000 anos como no cenário imaginado acima; está a acontecer neste momento, com uma velocidade surpreendente devido ao mau uso dos antibióticos. É por isso que não só não deve tomar um antibiótico sem ter a certeza que é o certo como não se deve deixar uma caixa a meio assim que se sentir melhor: as bactérias mais fortes podem ter sobrevivido e estão apenas "adormecidas", mas quando "acordarem" vão atacá-lo ainda com mais força, porque já estão resistentes a esse antibiótico.

Porém, não há que assustar! Os antibióticos têm o seu lugar e devem ser tomados quando necessário!

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